Adaptação à creche, ao jardim-de-infância ou à ama

Cada criança tem necessidades diferentes no que toca a adaptação a novas realidades/rotinas.
A entrada na creche/ama/jardim de infância é sempre uma fonte de preocupação para os pais.

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Foto de Sean Lancaster, via freeimages.com

Uma boa opção poderá passar por ficar com ele algum tempo no primeiro dia e avaliar se ele se está a integrar e ajuda-lo a fazê-lo: ajudar a encontrar os brinquedos, mostrar todos os espaços, estabelecer relações de confiança com os cuidadores, apresentar as outras crianças…

Outro aspecto importante é o nosso exemplo: os nossos filhos reagem instintivamente à nossa imagem, ou seja, se estivermos ansiosa(o)s, eles vão mostrar sinais de ansiedade, se desconfiamos das pessoas que serão os seus principais cuidadores, eles não confiarão nessas pessoas, e etc.

Por isso recomendo que inspirem fundo, confiem que vai correr bem, deixem o relógio em casa no primeiro dia (vão sem horários para sair ou voltar) e centrem-se no seu filho e ajudem-no a descobrir as novidades!
Ele dar-vos-á todos os sinais que precisam para avaliar como precisam proceder na sua adaptação!

Assim que vejam que ele está integrado, estabeleçam uma rotina de despedida (beijinho e abraço, por exemplo) e saiam. Isto pode não acontecer no primeiro dia, mas tem de obrigatoriamente acontecer algum dia. Não tentem começar a pensar em sair se não estão cofiantes que é a melhor decisão e que vão mesmo sair (e deixá-lo sozinho lá). Quando iniciarem a rotina do adeus deve ser um ponto sem retorno do qual não devem hesitar ou voltar atrás.
Quando sairem (sozinhos), se o vosso coração ficar apertadinho, é normal! Se quiserem chorar, chorem! Por isso é importante que tenha a certeza que, no, fundo estão a fazer o melhor pelo vosso filho! Façam também a vossa própria adaptação à nova realidade, mas sem interferir com a dele (e de preferência sem ele se aperceber).

Boa sorte!

Sinais de que a criança está pronta para largar a fralda

  • Mostra curiosidade sobre o uso da sanita.
  • Quer acompanhar os pais (ou cuidadores) nas idas à casa de banho.
  • Começa a referir quando tem a fralda suja.
  • Pára o que estava a fazer quando está a “encher” a fralda.
  • Tem autonomia para cumprir uma ordem simples ( ex: Fica sentada/o).

    Alguém se lembra de mais algum?

Birras

Não há como evitá-las, mas podemos sempre contorná-las. Naqueles dias em que tudo parece ser motivo para birra, experimentem ir mudando constantemente de assunto.

roxinasz @ sxc.hu
roxinasz @ sxc.hu

Exemplo:
-Não quero vestir
-Queres comer torradas ao pequeno-almoço?
-Não gosto da camisola
-Amanhã vamos à praia, sabias?
-Quero levar a pista de carros para a creche
– Ajudas a mamã a levar esta pasta pesada?

Parece cansativo (e é) mas é melhor que aturar uma birra sem fim logo de manhã. 
Por algum motivo os ingleses os apelidaram de “the terrible 2″…

Quando é que se introduz a água na alimentação dos bebés?

Logo que se introduzam alimentos que não o leite. Se o bebé estiver a ser amamentado, garantir que a mãe se mantém bem hidratada, especialmente durante os dias mais quentes do ano. Até aos 6 meses, os bebés amamentados em exclusivo, não precisam de absolutamente mais nada, nem mesmo água.

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Foto de Zsuzsanna Kilian, via freeimages.com

Se o bebé estiver a ser alimentado com leite industrializado, garantir que a preparação do mesmo segue rigorosamente as indicações de quantidade de água e pó constantes da embalagem (não esquecer que as colher-medida deve ser rasas). Devemos garantir que a água é de qualidade e que não se encontra contaminada.

Sugiro que seja água engarrafada, preferencialmente pouco mineralizada (para a preparação de leite) e equilibrada com pH7. Para evitar problemas o ideal é ir variando nas marcas, dentro das que apresentam pH neutro (7), visto que a sua constituição em minerais é muito variada. Sugiro que se usem garrafas pequenas para evitar possíveis contaminações ao longo do tempo.

Sinais de que a criança está pronta para a alimentação diversificada

  • Consegue sentar-se direita.
  • Perdeu o reflexo de extrusão (deitar fora tudo o que lhe entra na boca).
  • Atingiu o dobro do peso da nascença e os 6 meses de idade.
  • Mostra curiosidade por tudo o que entra na boca da mãe (ou da principal pessoa de referência).
  • Começa a salivar quando vê comida (sólida).

    Mais alguma sugestão?

Largar a chupeta

Largar a chupeta não tem de ser um drama. O truque é a preparação prévia.

1°. Definir o último dia. (Convém dar uns 2 ou 3 meses (mínimo) para preparação)

2°. Definir o procedimento. (Ex: Dar ao Pai Natal, Ir pendurar na árvore do jardim para as cegonhas levarem, etc.)

3°. Iniciar o desapego:
a) reduzir a quantidade de tempo que a criança passa com a chupeta e incentivá-la a ser ela própria a retirá-la da boca;
b) começar a mostrar a diferença entre bebés e crescidos;
c) limitar gradualmente o livre acesso à chupeta que deve ser reservada para crises (birras) e sono;
d) pontualmente ir simulando a perda da chupeta (não a encontrando na hora de ir dormir, por exemplo)

A criança deve ser estimulada para que seja ela a ir dar ou entregar as chupetas (todas) no último dia definido. Durante todo o processo é importante ir avaliando as reacções da criança e elogiando todas as atitudes activas que esta demonstre (ex: muito bem, tiraste a chupeta da boca), mas evitar realçar as passivas (ex: não dizer: boa, hoje estivestes o dia todo sem chupeta). É importante que todos os cuidadores estejam alinhados na forma de agir.

Serão todos os acidentes acidentais?

Para uma criança, o mundo dos adultos é cheio de “rasteiras” e a sua curiosidade inata bem como a ausência de noção de consequência origina que muitas crianças sejam alvo de “acidentes”. Isto leva-me à definição de acidente: acontecimento inesperado e inevitável que causa dano físico, emocional ou material.
Dito isto, serão todos os “acidentes” com crianças verdadeiros acidentes?

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Foto de Karolina Michalak, via freeimages.com

A criança que se entala com gravidade numa porta de casa… é um acidente? O adulto que partilha a casa com a criança não poderia ter aquela porta protegida ou faltou a supervisão?
Não pensem com isto que sou apologista das crianças viverem em redomas e sem perigos por perto, mas se é certo que a criança deve ser ensinada a proteger-se quando está próxima de um possível perigo é mais certo ainda que compete ao adulto, prever, proteger e evitar os “acidentes” possíveis. Logo devemos ter noção de todos os perigos possíveis aos olhos e ao natural desenrolar do dia-a-dia de uma criança, devemos evitar os perigos maiores ou mais facilmente acessíveis às crianças e ensina-las a conviver e a proteger-se de todos (incluindo os que evitamos, seja por protecção, seja por eliminação). Ou seja, devemos desde sempre e como primeira atitude, identificar com a criança o perigo e como deve evitá-lo, de seguida, protegê-lo, eliminá-lo ou supervisionar os primeiros contactos.

Por exemplo: eu tenho uma mesa de tampo de vidro na sala (baixinha e de apoio aos sofás). Ainda os meus pequenos não falavam (mas gatinhavam) quando eu comecei a mostrar-lhes o perigo do vidro e de como deveriam fazer antes de se levantarem (quando andavam a gatinhar perto da mesa). Desde cedo que aprenderam a olhar primeiro para cima e/ou colocar a mão por cima da cabeça antes de pensarem em levantarem-se e até identificarem onde se encontrava o vidro. Não protegi, nem retirei, mas ensinei-os e supervisionei sempre enquanto faziam as suas primeiras “gatinhadas” pela sala. Não evitei todas as cabeçadas, mas nunca houve nenhuma de maior relevo… E a cada cabeçada retomávamos os ensinamentos. Sem com isso entrar na transferência errada de responsabilidades, ou seja, começar com: “olha o que tu fizeste! já não te disse que não podes fazer isto!”.

Não esquecer nunca que a responsabilidade é do ADULTO! O que podemos/devemos fazer é (depois de acalmar/cuidar da criança), voltar ao início: “olha aqui isto é perigoso! Podes fazer dói-dói! Deves fazer sempre assim”… Mostrar, alertar e supervisionar as vezes seguintes!

Dicas para o nascimento dos dentes

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Foto de simmbarb, via freeimages.com

Muitas “pêpês” (chupetas) no congelador! (e ir trocando várias vezes por uma mais fresquinha…)

P.S. Mantenham-se longe do “bucagel”. Se estiver muito complicado usem o “pansoral” aplicado com o vosso dedinho muito limpinho e deixem que o/a bebé o morda porque ajuda a aliviar o desconforto.

P.P.S. Quando é o primeiro dente não dói nada deixar morder, com os seguintes mais vale darem os mordedores. É também altura de deixar de comprar chupetas/tetinas de silicone e comprar de borracha (mais resistente a dentadas afiadas).
Há certos tipos de silicone que já são resistentes às dentadas, não quebram com tanta facilidade e são mais elásticos. Se conseguirem puxar pela tetina/chucha e ela esticar, então esse silicone é resistente às dentadas. Isto não impede que se mantenham atentos a todo e qualquer sinal de desgaste que venha entretanto a ocorrer.

NOTA IMPORTANTE: As chupetas têm de estar bem secas antes de irem para o congelador. Se ganharem gelo não devem ser dadas diretamente ao bebé.

O meu bebé tem fome! (?)

“O meu bebé chora muito, é porque tem fome.”

“Chora a seguir a mamar, é porque tem fome.”

“Acorda de 2 em 2 horas, é porque tem fome.”

“Quando dou suplemento, dorme descansado, porque tinha MESMO fome!”

Shuné Pottier @ sxc.hu
Foto: Shuné Pottier @ sxc.hu

Esclarecimento: Todos os bebés choram! Chorar é a única forma de comunicação que têm ao seu dispor. Se contabilizarmos as horas que passamos a falar, ou a expressar-mo-nos por gestos e ou expressões faciais/corporais, se calhar o bebé até nem chora assim tantooo. O bebé chora porque tem fome (certo) mas também porque tem frio/calor, tem a fralda suja, quer atenção/descanso, quer estímulos ou está stressado por excesso de estímulos… Resumindo: chora por tudo e mais alguma coisa.

Chorar a seguir a mamar é muito comum, principalmente nos bebés mais sôfregos. Assim como nós quando comemos à pressa, demoramos a sentir a saciedade, o mesmo acontece com os bebés. Entre o estômago estar cheio e o cérebro receber essa informação vão alguns minutos (até mesmo 1/2 hora). Logo, normalmente não é sinal de fome, antes pelo contrário, é sinal de demasiada avidez na amamentação.

O leite materno é o único alimento cujo bebé está preparado para digerir, logo é natural que em 1h30 já tenha feito a digestão e queira mais. Dar suplemento só os faz dormir mais porque o esforço de digestão é de tal forma elevado que acaba por dar sonolência. Perceba-se que não é um sono saudável, é mais uma sesta obrigatória para que o bebé consiga digerir o leite artificial. O bebé amamentado consegue estabelecer melhor e mais rápido a rotina de sono (entenda-se dormir a noite toda) do que um bebé alimentado a leite artificial, que alterna entre alimentar-se e dormir sestas, seja dia ou noite.

A fome/boa alimentação dos bebés não se avalia pelo choro, mas sim pelo numero de fraldas sujas por dia e aumento de peso (seja 5 gr/dia seja 60gr/dia se aumentou está a crescer e a alimentar-se bem). Já agora, os bebés não engordam sempre o mesmo todas as semanas, nem isso é proporcional ao que receberam de alimento, mas sim ao nível de crescimento dessa altura. O crescimento funciona por picos e não por aumento exponencial.

Portanto NÃO, o seu bebé NÃO TEM FOME!

Trabalho de parto

Há histórias boas, há histórias más, há histórias de arrepiar… É claro que o passar do tempo ajuda a florear a memória e quem conta um conto acrescenta um ponto e se há coisa que uma mãe gosta sempre de contar (seja boa ou má a memória) é o seu trabalho de parto.

Até ser mãe pela primeira vez, sempre gostei de ouvir contar histórias e ficava sempre com aquela pulga de… elá… isto será como pintam?

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Foto via freeimages.com

Depois de ser mãe, comecei a dar um outro tipo de atenção a estas histórias e comecei a dar conta de um denominador comum nas piores histórias: a falta de preparação! Ora, não se chama TRABALHO de parto por coincidência. Mãe e filho têm de colaborar no trabalho mais delicado, sensível e abrupto das suas vidas.

E agora digam-me: qual é a probabilidade de um trabalho correr bem se a pessoa não estiver preparada para tal? O bebé vem pré-programado e mesmo assim nem sempre corre bem… e se a mãe não ajudar? E se a mãe achou que a preparação para o parto eram apenas umas aulinhas sem grande interesse? E se na altura em que o bebé precisa relaxar a mãe faz força e o comprime? E se quando o bebé precisa de sangue bem oxigenado a mãe está ocupada a gritar? E se quando o bebé precisa daquela ajuda extra a sair a mãe está a gastar a sua energia a agarrar-se (a algo: marquesa, mão do pai, etc…) com toda a força que tem em vez de a canalizar para os músculos pélvicos?

Só vos posso dizer o seguinte: Para a primeira preparei-me… sem grande preocupação e até com algum descuido (faltei algumas aulas para reuniões de trabalho, pensei que ia ter mais tempo para recuperar…). Para a segunda: 1 mês antes do recomendado já eu era a primeira da fila, na hora da aula!

E para quem acha que no segundo filho já sabemos ao que vamos, eu ainda nunca ouvi duas histórias de partos exactamente iguais. Vocês já?

Preparação NUNCA é demais!